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sábado, 18 de maio de 2013

O Fonseca.





O Fonseca nada quer
Com a reles incerteza
Tem tudo anotado
Num enorme catrapázio
E um olhar estudado
Que todos varre
Sempre na esperança
Que a voraz sorte
Alguém lhe entregue
Com ar encravado...

Logo recorre às fontes
Que o instruam
Sobre o dito desgraçado
Estuda com afinco
Todas as anomalias
De credo ou assiduidade
Que o resto é já certo
Possuir de todos horário
De milimétrica pontualidade. 

O Fonseca não faz por mal
É até bom homem e coiso e tal
Um senhor sacrificado
À causa nacional
O que sempre justifica
Uma certa rigidez
Que mais não é que paternal
Mesmo quando fulmina 
Esta e aquela formiguinha
Por sair da estreita linha 
Nem que seja uma vez. 

O Fonseca tem apenas
Um problema nas antenas
Captam o estrito momento
Sendo de contas o futuro
Mas só de curtas somas
E rigorosas subtracções
Anda assim distraído
Com anémicas algibeiras
Esquecendo os milhões
Enquanto perde as estribeiras
Com quem já só faz contas
A meia mão de tostões.

© Manuel Tavares 16/04/2013

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