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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Os “circunstancialistas”.





Os “circunstancialistas” são aqueles que agem e falam conforme aquilo que têm “à mão”.

Os “circunstancialistas” agem e falam conforme aquilo que a conjuntura “permite”, ou seja, aquilo que um determinado ambiente sócio-político-económico permite, ou seja, agem e falam dentro daquilo que um determinado “realismo” permite.

Os “circunstancialistas” não acreditam em mudanças que já não estejam previstas, não acreditam em riscos que já não estejam previstos, não acreditam em ideias que não estejam integradas e previstas dentro da ideia geral já pré-estabelecida pela conjuntura.

Os “circunstancialistas” agem e pensam estritamente dentro do socialmente aceitável num determinado espaço sócio temporal. Quebrar essa simples regra retira imediatamente um “circunstancialista” da condição de…“circunstancialista” porque todos os outros “circunstancialistas” irão agora olhar para ele como um “não-circunstancialistas”. Que é mais ou menos o mesmo que dizer um proscrito, a que apenas será dado o estrito tempo da antena pelos média “circunstancialistas”, tendo como objectivo provar o quão perigoso pode ser para todos nós um “não-circunstancialista”.

Sempre existiram “circunstancialistas” em todas épocas e nações da história e em todo tipo de sistemas e sociedades. A sua existência é essencial para a sobrevivência e, sobretudo, credibilidade de qualquer sistema. Credibilidade aqui terá de ser entendida sobre vários sentidos, primeiro no sentido da criação “credível” de uma realidade confortável, uma matriz, uma rede que tudo ampara. Depois dentro da “rede” como criadores de uma “moral” e “ética” do política e socialmente aceitável. Um pouco como “superegos” com funções policiais, regulando as pulsões inconscientes das massas, para que as mesmas se mantenham previsíveis e analisáveis aos olhos de uma determinada…conjuntura.

Existem assim “circunstancialistas” para todo tipo de tarefas e funções. Até há “circunstancialistas” aparentemente anti - conjuntura, mas que com a sua acção acabam por a tornar mais real ao criarem um aparente polo-oposto, polo esse que rapidamente se esfumaria na eventualidade da dissolução da conjuntura.

Existem até, vejam lá, políticos “circunstancialistas”, que num curioso exercício paradoxal se fazem eleger pelas massas previsíveis mas esperançadas noutra conjuntura, com a promessa de mudarem ou renovarem essa mesma conjuntura. Acto contínuo, quando eleitos a sua própria natureza não pode deixar de emergir, e como “circunstancialistas” só poderão assim agir dentro dos cânones que essa condição permite, ou seja, terão de alegar agora perante as massas que os elegeram que as circunstâncias os obrigam a ser “circunstancialistas”, apesar das massas lhes terem dado carta-branca para serem algo diferente.


© Manuel Tavares  22-02-2013

2 comentários:

  1. "Circunstancialistas",ou seja aqueles que por interesse próprio ou por cumplicidade com outros interesses escondidos(muitas vezes com o rabo de fora)fazem avançar uma agenda política,social e económica contrária ao interesse comum,e justificando as suas acções sempre com os erros anteriores tornando assim a democracia uma farsa com eleições de quatro em quatro anos.

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    1. Sim. Também mas não só , mas não só ...

      Obrigado Ricardo !

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