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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Os argonautas.



“A saga dos argonautas descreve a perigosa expedição rumo à Cólquida em busca do Velocino de Ouro. Conta o mito que Éson havia sido destronado por Pélias, seu meio irmão. Seu filho Jasão, exilado na Tessália aos cuidados do centauro Quíron, retornou ao atingir a maioridade para reclamar ao trono que por direito lhe pertencia. Pélias então, que tencionava livrar-se do intruso, resolveu enviá-lo em busca do Velo de Ouro, tarefa deveras arriscada. Um arauto foi enviado por toda a Grécia a fim de agregar heróis que estivessem dispostos a participar da difícil empreitada. Dessa forma, aproximadamente cinquenta jovens se apresentaram, todos eles heróis de grande renome e valor. Cada um deles desempenhou na expedição uma função específica, de acordo com suas habilidades.”
Fonte “Wikipedia”.


Acabei de ver o “Argo”…

Um filme curioso, baseado em factos de reais, de como um guião ajudou a resgatar seis pessoas, mas tal só foi possível porque o responsável da operação não seguiu o “guião” imposto.

É de facto um filme curioso, e portador quanto a mim de uma curiosa lição, muitas vezes o “guião” mais surreal é aquele que é portador da solução. No entanto para lá chegar convém exercitar curiosamente também, um agudo sentido da realidade.

Ao não ser convencional e seguidista o “herói” seguiu algo que por vezes é subestimado seja qual for a sociedade, sistema, tradição ou cultura, o seu instinto e o sentido daquilo que o seu coração e honra achou mais correcto num determinado momento.

 Para isso pôs em perigo o seu bem mais precioso, a própria vida, o que lhe deu sem dúvida uma enorme força para mandar à fava outro tipo de condicionamentos, neste caso o seu treino, disciplina e a hierarquia a que estava submetido.

Nem sempre os “guiões” sancionados por uma maioria estão fadados ao sucesso. Por exemplo, nós vivemos num “guião” sancionado pela maioria e todos os dias vemos onde nos tem levado.

Por mais elevados os fins, por mais pernicioso seja o inimigo a “abater”, raramente a insistência numa só estratégia costuma servir para “caçar” todo o tipo de “fauna”. Já para não falar, obviamente, que são cada vez mais difusos os “guiões” daqueles que nos dizem:

- Amigo…não vás por aí…tu até podes ter a tua razão mas estás fora do “guião”…sim o “guião”, aquele que já foi pré-estabelecido, e que nós, dentro claro está, da nossa liberdade individual, pronto, isso… livre arbítrio, livre pensamento e coisa e tal, tudo coisas com que concordamos, mas sabes…em tempo de guerra não se limpam armas, temos que seguir uma linha percebes, um “guião”… sabes há uns gajos que estudam estas coisa e tal, nós olha, vamos mandando umas bocas mas no essencial devemos fazer barulho ou… silêncio, conforme…conforme o guião.

Eu penso que estamos todos presos num grande “guião” chamado vida… Nesse “guião” há uma estreita e secreta relação entre todos nós, como se juntos, fossemos um gigantesco organismo. No entanto um organismo é sempre constituído por partes, algumas bem pequenas, microscópicas, atómicas, ou então, subatómicas ! 10.000 vezes mais pequenas que um átomo…

Como partícula subatómica neste imenso “guião” chamado vida vou tentando dirigir o meu próprio filme. Por vezes é difícil ser guionista, produtor e realizador. A solidão ataca e as dúvidas também, mas vamos aprendendo a viver longe do conforto dos “guiões” pré-estabelecidos, e há tantos, tantos por aí.

 Os seus “agentes” são numerosos… Por vezes parece que em cada esquina, café, pastelaria, quiosque, e hoje em dia, em cada perfil, página, ou grupo de uma qualquer rede social, nos blogues ou média online, lá estão eles:
- Ó pá cala-te! Não vás por aí!
- Ó pá cala-te! És um divisionista… não vás por aí!
- Ó pá cala-te! Até te percebo…tens razão…mas isso agora não interessa … não vás por aí!  
Como se o que importasse não fosse de facto derrubar o “Adamastor”, mas cumprir um certo guião para o fazer, no fundo tentar provar que um determinado “guião” tem “razão”…

Um recadinho pequenino aqui do “Hitchcock”, se quiserem trocar impressões acerca dos “guiões” possíveis para tornar o “guião” geral mais suportável e justo para todos, aqui estou eu disponível, quanto a “guiões” destinados à pecuária, estilo aqueles feitos para grandes rebanhos, com “bué da” colesterol, ou então daqueles mais pequeninos, com etiquetas ecológicas ou sustentáveis, ou de origem controlada, estilo carne barrosã, era só para dizer que o único cartão de pontos que tenho é do supermercado…e mesmo só com esse sinto-me mal.


© Manuel Tavares 23/02/2013



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