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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O caso Hugo Chávez e do senhor que foi “eleito” depois de morto...




Este é um assunto que aqui ou acolá é recorrente. É um assunto que esbarra sempre com aquilo que considero um sofisma, até porque quem utiliza o argumento que seguidamente enuncio tem tendência para o esquecer quando critica quem não gosta, esse argumento é:

- Chávez foi eleito!

O Chávez até podia ter o apoio de 99,9 % da população! O que classifica um ditador é a forma como lida com a liberdade de imprensa, a oposição ou fomenta um culto de personalidade ridículo... É o caso...

Na minha zona vive muita gente que esteve na Venezuela... Contam-me que lá há “posters” do homem em todo lado, estilo paizinho dos povos. Faz-me lembrar o Ben Ali quando fui à Tunísia, até no WC víamos a fronha do homem...
Contam-me também outras coisas nada recomendáveis, mas que não enunciarei porque carecem de cabal confirmação formal, falarei pois daquilo que é público e notório.

Este apoio ao Chávez de uma certa esquerda "porque sim" faz-me uma enorme comichão. Então que moral temos para afirmar que o nosso governo é ilegítimo quando avança com reformas que achamos que de facto não foram sufragadas? Foi sufragada na Venezuela a censura dos media? A instrumentalização pura e simples dos mesmos com a transmissão de discursos intermináveis do “pai da nação” ao pior estilo das "conversas em família" Marcelistas? Foi sufragado o endeusamento e culto bacoco de um personagem que cavalga a emoção das populações pela negativa, ou seja, nós ou o "diabo"? Foi sufragada a distribuição arbitrária de armas entre os seus apoiantes nos bairros populares das grandes cidades, indo muitas delas parar a marginais servindo posteriormente para assaltar inocentes? Foi sufragada a criação de centros de apoio social aos milhares que hoje mais não são que paredes, ou quando muito pilares ao alto?

As Américas sempre estiveram reféns destas duas polaridades , States imperialistas ou ditaduras de inspiração comunista, como a Cubana.
O caso da Cuba é aliás paradigmático, de bordel dos EUA a porta-aviões caduco dos Castro... Não há outras soluções ou não interessa falar nelas?

Para a mim a Democracia ainda não foi de facto aplicada. Os "States" não são uma democracia, a Europa tinha alguns aspectos interessantes mas foi tramada pela mafia dos mercados, pelos interesses divergentes do bloco continental e pela mão americana na Europa, o Reino Unido.

Resta-nos a todos criar uma alternativa. Não devemos duvidar que cada um de nós por aqui e noutros lados a cria ao expor o seu pensamento ou dando a sua opinião. Não devemos pois achar legítimo certos comportamentos ou estratégias bolorentas, só porque simpatizamos com certas personagens que se dizem muito “amiguinhas do povo”, esquecendo-se elas que o povo somos todos nós e não apenas os que lhes dizem amem.

Os fins nunca devem justificar os meios porque a história prova que todos vivemos sobretudo com as consequências dos meios , e raramente ou nunca, somos beneficiados com a prometida “chegada” dos “fins”…

Já agora concluo voltando de certa forma ao início, ainda se recordam quem em 2007 foi eleito num programa da RTP como “maior português de todos os tempos” depois de votação dos telespectadores do canal? Salazar! Isso faz dele menos “ditador”? Quantos votos teria ele hoje (neste ambiente de incerteza e “crise”) se saísse do seu eterno poiso em Santa Comba? Ele que nunca em vida foi eleito, acabou eleito de forma póstuma pelos vivos, ele que paradoxalmente punha os mortos a votar nele…quando vivo.

Já agora é curioso relembrar que o 2º lugar foi ocupado por Cunhal e o 3º por Aristides de Sousa Mendes, o tal que evitou que milhares de judeus fossem parar aos fornos dos campos de concentração nazis. Facto que pagou com a miséria e esquecimento até ao final da sua vida, perseguido pelo regime do senhor que ficou em primeiro lugar…

Somos tão contraditórios não somos?

© Manuel Tavares


Link concurso "maior português de todos os tempos":

2 comentários:

  1. A propósito, há uma polemicazinha à portuguesa quanto ao Aristides. mas ainda ninguém se descoseu com fontes fiáveis, nem pró nem contra: https://pt.wikipedia.org/wiki/Aristides_de_Sousa_Mendes

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  2. Esse mesmo artigo não desmente que o Aristides arriscou o seu pescoço para salvar inocentes do jugo nazi, pelo contrário refere isso dizendo apenas que os números daqueles que ele salvou estariam exagerados.
    Para mim os relatos de inúmeras pessoas REAIS que ele salvou chegam e sobram.

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