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domingo, 21 de outubro de 2012

Que fazer com as sobras?








Tenho o hábito anterior a "crises" de quando almoço ou janto em algum lado mandar embrulhar o que sobra… Não é para o cão, é para mim mesmo. Continuo a notar que para muitos este hábito é surpreendente, talvez porque o achem indigno, coisa de sovina ou mesmo de pobre, ou simplesmente por vergonha, e aí bato de frente com algo que especuladores espertos souberam aproveitar bem, a incapacidade congénita que muitos portugueses têm de poupar muitas vezes pelo mais medíocre dos motivos, o que os outros podem ou não pensar acerca dele (há quem lhe chame vaidade).

Muitos se surpreendem pelo patrão do Ikea andar de metro, eu não. Tem a ver com uma mentalidade e forma de estar na vida com que sinceramente me tento identificar. Tal como não é surpreendente para mim os deputados suecos não terem assessores, ou possuírem um gabinete espartano ao seu dispor e um apartamento ainda mais espartano. Ou o seu  PM habitar numa casa tão vulgar, que se o quisessem visitar possivelmente falhavam a morada dez vezes, mesmo que o vissem à varanda a esticar a roupa (ou sobretudo por isso) visto que um dos seus divertimentos favoritos é arrumar a casa (bem aqui admito que o "gajo bate mal").

Eu felizmente ainda estou longe da sopa dos pobres (apesar que com os governos que vamos tendo ninguém diga "desta sopa não sorverei alarve e ansiosamente"), mas considero que a poupança deve ser um hábito mais entranhado que virar sem fazer pisca, o combate ao desperdício algo natural como andar de "Armani" ao mesmo tempo que se atira a beata para o chão.

O poupar é um valor em si mesmo. Não devemos poupar apenas quando nos falta mas porque não queremos ocupar mais espaço no mundo do que aquele que este comporta, e cada vez que não o fazemos reduzimos o "tamanho do mundo" a um desgraçado qualquer que bem gostaria de comer algo um dia a que chamasse almoço, quanto mais ficar com as sobras...Bem vou almoçar...sobras que me vão saber muito bem.

© Manuel Tavares 1/10/2012

1 comentário:

  1. Jamais desperdiço o que quer que seja; tudo em minha casa tem utilidade e confesso que se assim é, aos meus pais o devo. Mesmo sendo pessoas abastadas sempre preservaram e incutiram aos filhos o sentdo de poupança.
    Já não saberia viver de outra forma!
    Bem hajam!

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