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domingo, 28 de outubro de 2012

A "estória" da Alemanha...



O que é perverso e triste nesta "estória" toda é que mais uma vez se tenta construir uma união Europeia "à força". Quem tem culpa neste cartório são precisamente as grandes potências Europeias que nunca encetaram passos seguros mas igualmente céleres, para que a Europa fosse pouco mais que um "clube" de economias. 

A razão disso? Precisamente um egoísmo míope e nacionalista de quem quer retirar algo do todo e para o todo nada dar. Não falo aqui apenas em termos económicos, mas sim em termos estratégicos e políticos (que são, basicamente, motivos económicos eles também)

Um dos grandes culpados desta situação foi precisamente o Reino Unido que sempre boicotou todos os esforços no sentido de uma União mais ágil e plural, paradoxalmente, ao "pôr-se de lado" , abriu caminho para o bloco continental que tanto abomina (Paris-Berlim), e limita-se  agora a fazer o seu "damage control" caseiro, reduzido à expressão mais simples da sua secular mesquinhez.

A Europa volta a ser uma luta de interesses surda. Os burocratas que se acumularam em Bruxelas mostram a sua verdadeira face de "pisa-papéis" , totalmente alheios das realidades políticas, sociológicas e económicas dos estados membros que lhes pagam para lá estarem. 

A Europa é assim uma espécie de "salão de chá" das "tias" do continente, esclerosadas e mortinhas por aplicar "fórmulas do antigamente", quando o que era necessário seria um verdadeiro salto em frente.

Eu sou um europeu convicto. Penso que este é o nosso espaço por direito mas defendo igualmente que a nossa relação com África e todos os países lusófonos nunca deveria ter passado para segundo plano.

Portugal é igualmente um país atlântico com enorme potencial geoestratégico, por miopia propositada ou não de Bruxelas, está reduzido à condição de pedinte e agora à condição de colónia, não da Europa, o que defendo nem seria mau tendo em conta a falta de nível progressiva dos nossos dirigentes, mas de Berlim apenas, e ter "um só dono" é sempre mau porque estamos dependentes das suas individuais mudanças de humor.

Não levanto alto a bandeira do "aqui d'el rei" porque a história já nos ensinou que a independência de um povo é a sua língua e cultura. As elites têm sempre tendência para ser oportunistas e "vender", não só o país, como a sua alma, e isso ninguém deve abrir mão, e a isso sim, deveremos estar atentos.  

Põe-se assim a questão da soberania da nação. Agora esta é posta apenas "às claras" porque de facto já não somos soberanos para nada, desde que nos destruíram o sector primário através de políticas com o alto patrocínio de Bruxelas.

Podem-me então perguntar, “porque és então um "europeísta convicto"? Porque todos nós temos direito "à nossa ideia de Europa" e esta não é a minha Europa. A minha Europa promoveria a riqueza e prosperidade de todos, não daria apenas "esmolas" aos mais necessitados mas sim "canas para pescar", ou seja, apoios para o desenvolvimento das capacidades em que aquele país específico pudesse ter mais sucesso e nunca, mesmo nunca, descurando os sectores essenciais à sobrevivência física de uma nação. 

O que esta Europa promoveu foi em muitos casos o laxismo e a corrupção onde ela sabia perfeitamente que era endémica, num processo que teve tanto de inconsciente como irresponsável, e com a cumplicidade total dos políticos locais.

A Europa deixou de ser uma ideia de charneira para a humanidade para estar agora a prestar-lhe um péssimo serviço. Numa altura em que deveríamos estar a falar de uma entidade não Europeia, Americana ou Asiática mas mundial, que servisse para gerir de forma racional este desgraçado e depauperado planeta estamos a falar...da Alemanha.

© Manuel Tavares

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